Conhece a História dos Paços do Concelho?

 
No largo Virgílio Horta impõe-se o icónico edifício da Câmara Municipal de Sintra. É impossível os nossos olhos nele não se fixarem e não termos curiosidade em conhecer a sua história.

As suas origens remontam à primeira década do século XX, quando se pensou construir em Sintra, de raiz, um imóvel para Paços do Concelho.

Esta opção colocou-se face à necessidade de transferência do centro administrativo, precariamente instalado num edifício setecentista da Vila Velha, para uma zona mais próxima do Bairro de Estefânia que nascera com a chegada do caminho-de-ferro, em 1887.

Desta forma, os Paços do Concelho situam-se estrategicamente num local acessível a todos, entre os dois burgos, não os hierarquizando: o velho centro histórico, fechado no espaço e no tempo e o novo burgo, aberto à prosperidade dos novos dias.

A sua edificação decorreu entre 1906 e 1908 e impôs a demolição da pré-existente e arruinada capela manuelina de São Sebastião.

O imóvel foi projetado pelo arquiteto Adães Bermudes (1864-1948), dentro de um estilo revivalista neomanuelino, porém eclético, que transmite uma ideia de progresso e simultaneamente nos transporta para um passado grandioso, transformado em património.

Apresenta fachadas austeras, janelas neomanuelinas, uma imponente torre de cobertura piramidal em azulejo, cuja decoração obedece aos padrões de gosto nacionalista representados pela cruz de Cristo e o escudo das quinas, culminando no topo com a esfera armilar.

Destaque ainda para a varanda de inspiração manuelina, dominada por arcaria de idêntica linguagem, tendo no frontão o brasão municipal.

No interior desenvolve-se um majestoso claustro neorromântico de dois andares, cujo balcão superior é ricamente decorado por motivos renascentistas.

Entre os muitos ilustres presidentes da autarquia, não se pode deixar de destacar, pelas funções de Presidente da República que exerceu entre 1951 e 1958, o General Craveiro Lopes, oficial da Força Aérea.

Uma última referência para o bonito chafariz que se ergue diante do edifício compondo o conjunto da praça. Inaugurado em 1914, no mesmo estilo neomanuelino dos paços do concelho, foi projetado pelo Arq. Tertuliano Lacerda Marques e esculpido por José da Fonseca.